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Leonel Aguiar

Depois das coleções Clássicos da filosofia, Clássicos da história, e Clássicos das ciências sociais, a Editora PUC-Rio e a Editora Vozes iniciam um novo projeto: o livro Clássicos da comunicação - Os teóricos.

A obra, organizada por Leonel Aguiar e Adriana Barsotti, reúne artigos que descrevem e contextualizam 20 teóricos considerados os mais relevantes para o campo dos estudos comunicacionais, destacando suas vidas e obras.

Nesta entrevista, Leonel Aguiar, coordenador de graduação do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, fala sobre os desafios de classificar o que seria considerado um clássico em uma área tão nova quanto a comunicação, a escolha dos 20 teóricos e até mesmo da possibilidade de um segundo volume.


» A questão da escolha do que é considerado um clássico, principalmente na área de comunicação,é um desafio. Como foi esse processo?

Leonel: Foi um processo bastante difícil e tortuoso, porque não é fácil fazer essa escolha dentro da área da comunicação. Como eu digo no prefácio, para qualquer área do conhecimento isso já é uma escolha difícil. Por exemplo, em filosofia saíram três volumes, em história quatro e quando se compara com comunicação que tem apenas um volume o primeiro problema é esse. Ela é uma área relativamente nova se comparada com outras ciências sociais que são do século XIX.

Outra dificuldade foi a definição da área da comunicação, questão que até hoje é discutida. Então, mesmo alguns autores que eu tenho muito apreço, tiveram que ficar de fora. Como, por exemplo, Michel Foucault com o seu conceito de panopstismo que, por sua vez, é bastante interessante para analisarmos o sistema de vigilância que existe hoje em dia, além de programas como os realitys shows. Ele teve que ficar de fora porque chegamos a conclusão de que é um autor mais clássico da filosofia do que propriamente da comunicação. Mas isso também mostra um outro ponto que é a interdisciplinaridade da comunicação. Ou seja, como ela atravessa pelas diversas áreas das ciências sociais e se propõe a fazer um diálogo.

Segundo Ítalo Calvino, os autores clássicos são aqueles que se impõem como inesquecíveis, que permanecem na dobra da nossa memória. E eu concordo com ele. O clássico é aquilo que persiste na atualidade. Que mesmo existindo autores novos que fazem uma crítica a esses clássicos, muitas vezes até desconstruindo suas obras, continuam tendo uma grande contribuição para o pensamento. E essa influência deles está definitivamente inserida no processo de construção social do conhecimento científico. São esses autores que se tornam clássicos. Todos são muito conhecidos da área da comunicação e nenhum é pouco citado. São aqueles que de fato a área considera relevantes e importantes para permanecerem ainda sendo estudados pelos alunos tanto de graduação quanto de pós-graduação.

» Como o campo de estudos comunicacionais é recente, notamos que a lista de teóricos é formada por autores vivos ou recém-falecidos. Que outros nomes contemporâneos da área também têm se destacado por seus estudos e que poderiam vir a formar outros volumes sobre teóricos da comunicação?

Leonel: Essa é uma tarefa difícil para pensar de uma maneira muito rápida mas eu poderia citar três: Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari.

Foucault possui o seu conceito de panoptismo, o que podemos relacionar com a importância da câmera de vigilância hoje em dia como a ideia de se ficar circunscrito dentro de uma casa onde tem pessoas que vigiam o tempo todo. Sistema que ele pensou quando analisou um novo modelo de prisão no qual o preso não precisaria de carcereiro, visto que seria vigiado por um olhar que estaria sempre acompanhando-o. Gilles Deleuze por causa dos seus livros sobre cinema, tendo escrito dois clássicos sobre o tema. E Félix Guattari, pela ideia de como, de certa maneira, o sistema midiático influencia na construção da subjetividade dos sujeitos contemporâneos.

Mas essa é uma tarefa muito difícil, então preferi, quando fui começar esse volume, citar aqueles autores que as pessoas conhecem bastante. Até porque, escolher eles implicou em perder muitos outros que aqui não estão presentes.

» Nomes como Benjamin, Adorno, McLuhan e Morin, já eram esperados para a lista de teóricos clássicos da comunicação. Mas que nomes você destacaria que poderiam ser menos óbvios para os leitores e por que eles foram escolhidos?

Leonel: A maioria dos nomes que temos aqui são mais ou menos esperados, mas não sei se em uma outra lista, organizada por outra pessoa, estariam presentes autores de língua latino-americana, como Jesús Martín-Barbero, Eliseo Verón e o Néstor Canclini. Então, acho que essa pode ter sido uma surpresa.

Outra inesperada também seria a escolha da Elisabeth Noelle-Neumann, cujo conceito da espiral do silêncio é um dos mais interessantes para a área da comunicação. Ela vai dizer que o mais importante na mídia não é só aquilo o que ela fala mas principalmente aquilo que ela deixa de falar. É a isso que ela dá o nome de espiral do silêncio. Então, acho que ela seja a autora que desses mais surpreenda por estar presente na lista.

» A maioria dos nomes abordados no livro é de pessoas não necessariamente ligadas apenas à comunicação. Você classificaria como característica ou como uma dificuldade a interdisciplinaridade do campo da comunicação?

Leonel: Esse caráter interdisciplinar é uma característica da nossa área. Mesmo aqui (PUC-Rio), entre os nossos professores de teoria da comunicação, que em geral fizeram a graduação, mestrado e doutorado ou em comunicação ou em áreas afins, existem muitos que trabalham nas áreas de psicologia ou letras, por exemplo. Mas isso é uma característica da área como um todo.

Além dessa questão, o que eu também tentei fazer foi tentar conjugar pesquisadores com uma longa trajetória na academia e pesquisadores mais novos. Mas, em geral, nós temos realmente uma grande parte desses professores presentes na comunicação. Apenas um ou outro que não. As pessoas que estão nessa lista são grandes estudiosos desses clássicos.

» Qual era o público visado na construção dessa obra? De que forma ela pode ser interessante para ele?

Leonel: O público que visamos em um primeiro momento sempre esteve ligado com o modo como os especialistas iriam escrever o texto. Visamos primeiramente os estudantes do curso de comunicação, basicamente no nível de graduação mas também no nível de mestrado. Isso porque esses são textos extremamentes canônicos nesse sentido.

O que pedimos para os especialistas foi para não desconstruir a obra do autor ou apontar erros conceituais e teóricos. Mas, basicamente, descreverem a vida e obra desses autores e apontar quais conceitos são os mais relevantes para a área de comunicação. E isso de certa maneira, já pensando no público que vai ler.

Esse livro, assim como toda a coleção dos clássicos, é voltado no primeiro momento para os alunos de graduação, para eles saberem quem são esses autores, onde eles nasceram, quais são as suas principais obras, onde estudaram, seus principais conceitos, quando foi que morreram e quais foram as suas influências na sua própria época e depois.

Mas também é de interesse para os curiosos que queiram conhecer a obra desses autores. Estão presentes autores com vidas excepcionais, como é o caso de Walter Benjamin e Edgar Morin. Acredito que tem um impacto muito positivo, quando se junta essa questão de vida e obra.

Nossa área de graduação é muito grande, ela comporta cerca de 600 cursos e tem 220 mil alunos matriculados por todo o país. Com esse livro, eu espero que os alunos tenham uma primeira introdução ao complexo universo que é a área da comunicação e também ao campo das suas teorias, que é imenso.

» Você acredita que existe um vácuo editorial no campo de comunicação? Se sim, por quê?

Leonel: Eu acredito, e acho que esse foi um dos insights mais potentes que a Editora PUC-Rio junto com a Editora Vozes teve nesse momento ao lançar esse livro. E acho inclusive que essa coleção deveria seguir com outros autores em um possível segundo ou até mesmo terceiro volume, já que podemos contemplar pelo menos uns 60 autores.

» Você está voltado para algum novo projeto atualmente?

Leonel: Estou trabalhando com o meu grupo de pesquisa, pensando sobre um possível Teóricos do jornalismo, que seria um livro sobre as teorias do jornalismo visto que isso ainda é muito pouco estudado em algumas escolas de comunicação do país. Achamos então que talvez seja a hora de empreender um volume sobre o tema.

Eu acharia muito importante também haver um segundo volume para o Clássicos da comunicação. Os alunos de graduação ficariam extremamente satisfeitos com a possibilidade de terem acesso a textos que são sintéticos, apresentam vida e obra dos teóricos e que fazem um elenco das suas principais obras a serem lidas. O grande gancho desse Clássicos da Comunicação é exatamente que os especialistas nesses teóricos fizeram uma leitura da sua obra e trouxeram para a comunicação aqueles conceitos e teorias que são as mais relevantes para a área. Tudo em uma linguagem fácil e acessível, exatamente para facilitar a introdução do aluno de graduação nesse grande universo complexo e multidisciplinar que é a comunicação social.




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